domingo, 25 de novembro de 2007

Jornalista Caco Barcellos discute a realidade brasileira em Seminário Regional de Cultura

Na última segunda-feira, dia 19, o Clube Vera Cruz foi sede do 2º Seminário Regional de Cultura, promovido pelo Departamento de Cultura. Com o tema “Cultura também é paz”, o seminário teve a participação do jornalista da Rede Globo, Caco Barcellos pela manhã e do professor doutor Mozart Linhares da Silva, pela tarde.

O jornalista Caco Barcellos concentrou sua fala nos seus livros: “Rota 66” e “Abusado, o dono do morro Dona Marta”. Um dos jornalistas mais conceituados no país e que atualmente comanda o quadro Profissão Repórter, no Fantástico, Caco contou a todos os presentes (autoridades, estudantes vera-cruzenses e do curso de comunicação social da Unisc) a experiência proporcionada na pesquisa dos dois livros.

ROTA 66 - Com o livro, o jornalista quis identificar assassinatos daqueles apontados como bandidos desconhecidos. “Como a PM sabe que é bandido se é desconhecido?”, questiona a incoerência. Em sua pesquisa para o livro, Caco identificou 4.200 vítimas da Polícia Militar de São Paulo, diferente do que a maior parte da imprensa fazia, apenas reproduzindo relatos oficiais fornecidos pela ótica de um só lado da história: o da polícia. Para tanto, o jornalista foi atrás de descobrir quem eram essas pessoas assassinadas, se eram realmente bandidos ou apenas mais estatísticas.

A discussão ficou mais atual, quando o jornalista comparou a Rota 66 ao BOPE (Batalhão de Elite da Polícia Militar do Rio de Janeiro) que ficou conhecida graças ao filme “Tropa de Elite” (foto abaixo). Caco Barcellos informou que o recorde da Rota, que foi de 1,5 mil mortes ao ano deve ser superado pelo BOPE, que contabilizou 845 mortes em apenas seis meses, ou seja, um jovem morto a cada quatro horas. Se continuar a média, em um ano, serão 1,7 mil.

Ao fim de sua pesquisa para “Rota 66”, o jornalista constatou que a maior parte daqueles que haviam sido assassinados na mão da Rota não era formada por bandidos. Caco questionou se era normal um policial de unidade de patrulhamento matar tanto e que as vítimas são em sua maioria, pobres e negros. “O Brasil não tem criminoso rico?”, perguntou.


Leia o primeiro capítulo do livro clicando aqui.

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ABUSADO – Já em "Abusado, o dono do morro Dona Marta", o jornalista foi conhecer as bocas de cocaína do morro, no Rio de Janeiro e conversou com mais de 100 traficantes para escrever o livro. Caco buscou entender todo o funcionamento do morro, desde o “avião” que carrega as coisas do asfalto para dentro do morro, quanto aqueles que trabalham na produção das drogas, na venda ou que são apenas parentes de traficantes. O resultado surpreendeu o jornalista que ouviu dos traficantes o motivo para traficar: não queriam reproduzir a histórias dos pais trabalhadores, como as mães, que em sua maioria trabalham de empregadas domésticas e passam a semana fora. Essa relação gerou uma peça de teatro que Caco escreveu.


Leia trechos de "Abusado", clicando aqui.

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Na parte da tarde, o 2º Seminário Regional de Cultura contou com o painel regional, com relatos e apresentações de experiências culturais. Os projetos da Casa de Cultura de Vera Cruz e o Centro Regional de Cultura de Rio Pardo forma explanados na ocasião, quando também foram enfatizados o Cearca e o seu grupo de danças, assim como as oficinas do Departamento de Cultura.

Na seqüência da programação, o professor doutor da Unisc Mozart Linhares da Silva falou sobre o tema “A Cultura Afro-Brasileira no Vale do Rio Pardo” e lançou o livro “Educação, etnicidade e preconceito no Brasil”.

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